Alma Zen: June 2007

Tuesday, June 26, 2007

Cassoulet de preguiçoso da Miki


Desde que vi essa receita no blog da Miki fiquei com uma vontade danada de fazer. O tempo aqui no Rio anda fresquinho, particularmente favorável a uma comidinha mais encorpada como essa.

Como todos devem saber, o cassoulet é um prato de origem francesa, que data, possivelmente, da Guerra dos Cem Anos. Possui inúmeras versões, algumas bem sofisticadas, onde se inclui o confit de pato, carne de caça e por aí vai.

Aqui a coisa é extremamente mais simples, mas nem por isso, menos deliciosa. A minha versão ficou um pouco diferente daquela postada pela Miki, já que usei uma variedade um pouco maior de carnes.

Pra início de conversa, deixei 1/2 quilo de feijão branco de molho de uma noite para a outra. Numa outra bacia deixei também de molho: lombo salgado, paio, linguiça calabresa e costela salgada. A quantidade de carnes vai depender do número de famintos que você tiver sob sua responsabilidade. Troquei essa água do molho das carnes pelo menos umas duas vezes.

No dia seguinte, escorri o feijão e coloquei para cozinhar numa panela de pressão com água suficiente para cobri-lo. Junto com o feijão, deitei quatro folhas de louro e um cravo. Numa outra panela grande, coloquei as carnes com água e deixei ferver.

Quando a panela do feijão começou a chiar, esperei mais uns dez minutinhos e abri a panela, para ver se o feijão já estava no ponto, o que quer dizer: nem duro, nem mole demais. Vendo que não estava no ponto, fechei a panela e levei ao fogo novamente, até atingir o ponto certo. Enquanto isso, a água das carnes ferveu e eu escorri.

Feito isso, coloquei as carnes para cozinhar numa outra panela de pressão com um pouco de água (se você tiver só uma panela, transfira o feijão para uma caçarola). Para verificar se as carnes estavam macias (e elas não atingem o ponto ao mesmo tempo), usei o mesmo procedimento do feijão: abrir e fechar a panela. Conforme elas iam ficando macias, eu ia tirando, colocando junto ao feijão na outra panela e deixando ferver, que é pro feijão 'tomar o gosto'. À parte, cozinhei uma cenoura no vapor (cortada em pedaços grandes) e juntei ao feijão quando esta amaciou.

Quando esse processo acabou, coloquei óleo de milho numa frigideira funda e juntei: meia cebola picadinha, quatro dentes de alho, uma pimenta dedo-de-moça picadinha e um tomate grande. Deixei refogar e juntei isso ao feijão, juntamente com um pouquinho de pimenta ro reino moída na hora. Corrigi o sal, deixei ferver mais um pouco e estava pronto.

Como a Miki muito bem explica, esse prato é tão completo que basta servi-lo com arroz branco e uma salada verde. Ah! Também fiz uma farofinha de alho e manteiga. De sobremesa, tivemos palha italiana. Só sei dizer que, pelo restante do dia, consegui apenas tomar chás diversos e comer frutas leves, tipo maçã e pêra. O cassoulet preenche todos os espaços vazios que porventura tenhamos... Obrigada, Miki, pela deliciosa sugestão.



Labels:

Tuesday, June 19, 2007

Devil's food cake


As coisas aqui nessa casinha estão muito bem divididas, como vocês podem ver. A Reilla cuida muito bem dos salgados e eu fico com os doces!!! Um dia eu explico melhor essa minha relação com a comida 'de sal', mas, por ora, posso dizer que não sou muito chegada a comidas sofisticadas, inovações, sabores esdrúxulos. Eu gosto de comida simples, natural e tradicional. Por isso, não me aventuro muito e nem posso escrever sobre; já que tudo o que faço é trivialíssimo.

Por outro lado, fazer doce sempre me pareceu uma grande brincadeira. Doce lembra infância, quando eu disputava - quase a tapas - as panelas que haviam acabado de sair do fogo, com restinhos de doce de abóbora, as tigelas de batedeira sujas de bolo e adorava roubar o bolo antes da hora. Doce lembra também muita diversão. Como não pensar em algo divertido vendo, por exemplo, o que essa moça aqui faz com açúcar?

Isso tudo pra dizer que, mais uma vez, vou postar uma receita de bolo. De chocolate. Chama-se 'Devil's food cake" e é uma receita tradicional da cozinha americana. Segundo a autora desse livro, algumas receitas dessa delícia datam do início do século XX. É um bolo que me agrada, pois não é muito doce. E o nome não poderia ser mais apropriado: ele é realmente uma tentação. Vamos a ele, então:

* Separe e deixe que fique em temperatura ambiente:

2 xícaras de farinha peneiradas
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal
10 colheres de sopa de cacau em pó, sem açúcar
3/4 xícara (+ ou - 150 g) de manteiga
1 xícara de açúcar branco peneirado
3 gemas (usei 4)
1 xícara de açúcar mascavo
1/4 de xícara de água
1 xícara de leite
1 colher de chá de essência de baunilha
3 claras em neve (usei 4)

1. Pré-aqueça o forno à temperatura média.

2. Peneire de novo a farinha com o bicarbonato de sódio, o sal e o cacau em pó.

3. Numa tigela grande, bata a manteiga até ficar mole e vá acrescentando o açúcar branco aos poucos. Misture bem até ficar bem leve e cremoso. Junte e bata as gemas, uma a uma. Adicione o açúcar mascavo e mexa.

4. Acrescente e misture a farinha com a mistura de manteiga em três partes, alternando com o leite, a água e a baunilha. Misture a massa até ficar lisa, depois de cada adição. A receita não pede, mas eu adicionei amêndoas à massa.

5. Junte cuidadosamente as claras já batidas em neve, sem bater. A maneira certa é misturar com gestos delicados até incorporá-las. Depois disso, asse em uma forma retangular (a minha é média), por aproximadamente 25 minutos.

6. Quando esfriou, cortei o bolo ao meio e mais uma vez, fazendo quatro partes. Fiz o recheio e a cobertura assim: 6 colheres de sopa de açúcar, 1 lata de creme de leite sem o soro, 8 colheres de chocolate em pó, uma colher de sopa de manteiga. Juntei tudo, levei ao fogo até ferver e estava pronto. Joguei por cima, peneirei açúcar de confeiteiro quando a cobertura esfriou e enfeitei com cerejas.

Experimente com uma xícara de café bem quentinho!!




Labels: ,

Wednesday, June 13, 2007

Charutinho de repolho com recheio diferente

Eu A-MO comida árabe. E a melhor comida árabe EVER era da Dona Olga, uma síria do balacobaco, vó da minha melhor amiga de infância. Não foi a Dona Olga que me ensinou este charutinho, na verdade, foi pura invencionice, mesmo. Prestenção:

Para o charutinho:
- um repolho grande desfolhado;
- uma chávena e meia de trigo para salada (sabe aquele trigo mais grossinho?);
- 500 gramas de patinho moído duas vezes;
- cominho seco;
- canela em pó;
- noz moscada;
- suco de dois limões;
- pimenta do reino moída;
- sal;
- uma colher e meia de sopa de hortelã fresca picadinha;
- um tomate picado bem pititinho;
- uma cebola picada bem pititinha;

Coloque as folhas de repolho numa panelona dom água e um tiquinho de nada de sal para amolecerem. Depois de bem molinhas, mas nem tanto, tire o talo duro do meio e reserve. Cada folha grandona, dá para dois charutinhos.

Para o recheio do charutinho: misture em uma vasilha o trigo seco (nada de pôr de molho, vão por mim), a carne, os limões, a hortelã, o tomate, a cebola e o sal. Deixe descansar por uns 15 minutinhos na geladeira. Enquanto isso, num pilão misture a canela, o cominho e a noz moscada misturando tudo muito bem. Quanto às quantidades dos temperos vai depender do gosto. Eu gosto de sabores mais acentuados, então coloco mais ou menos uma colherinha rasa de café de cada um. Junte esta mistura ao restante do recheio na hora de montar.

Para a panela:
- dois tomates cortados em rodelas;
- duas cebolas cortadas em rodelas;
- dentes de alho amassados;
- sal e pimenta do reino;
- caldo de carne o quanto baste para cobrir;

Coloque no fundo da panela uma camada de tomates, cebola uns dois ou três dentes de alho, un tiquinho de sal e outro de pimenta. Sobre este fundo coloque uma camada de charutinhos bem juntinhos uns dos outros. Outra camada de tomates etc, outra de charutinhos, outra de tomates, outra de charutinhos. Detalhe: não coloque os charutinhos até a borda da panela. Coloque o caldo de carne até quase cobrir os charutinhos e leve ao fogo brando por mais ou menos 45 minutos.

Uma coisinha: deve-se colocar um peso sobre os charutinhos para que não desmanchem.Uma boa é colocar uma panela menor cheia de água, mas o velho truque do prato com um peso em cima tem seu valor.

Outra coisinha: na hora de enrolar os charutinhos, dobre as laterais primero, assim fica bem mais difícil do recheio escapar. Também enrole-os o menor possível, além de ficarem mais bonitinhos, dá para comer com a mão, sabe da geladeira para a boca? Porque charutinhos de ontem e gelados são infinitamente melhores que os de hoje quente.

Última coisinha: Prometo que a próxima receita tem fotos, vez que uma máquina nova está a caminho...

Labels:

Thursday, June 07, 2007

Rocambole de chocolate com creme de Irish coffee

A receita desse rocambole maravilhoso saiu desse livro aqui; um dos presentes que eu ganhei no Dia das Mães:

A massa, a princípio, pareceu diferente de todas as massas de rocambole já vistas anteriormente por mim, mas eu garanto: não há nada nela que precise ser modificado ou acrescentado, por mais estranho que possa parecer, ou por mais incrédulo que você seja. No final, tudo dará certo, apenas e tão somente se você seguir todas as instruções. Eu fui querer introduzir inovações e quase me estrepei. Não deixe que isso aconteça com você. A única coisa que pode ser mudada é o recheio, embora, nesse caso, ele não possa mais ser chamado de rocambole com 'creme de Irish coffee'... Dito isto, passemos às instruções:

Para a massa:

175 g de chocolate puro picado
5 ovos, gemas separadas das claras
150 g de açúcar refinado

Para o recheio:

1 colher de café expresso instantâneo
200 ml de creme de leite fresco
4 colheres de sopa de whisky

1. Unte e forre com papel manteiga uma forma retangular de 33 x 23 cm. Unte o papel (muito importante!!!). Derreta o chocolate num refratário.

2. Bata as gemas com o açúcar por 3-4 minutos até formar uma mistura fina e bem clara. Acrescente o chocolate derretido e continue batendo. Em uma outra vasilha totalmente limpa, bata as claras em neve até formar picos. Misture 1/4 das claras na massa de chocolate e mexa cuidadosamente. Adicione o restante das claras em neve. Coloque a mistura na forma e distribua-a bem nos cantos.

3. Asse em forno pré-aquecido, a 180° C, por cerca de 20 minutos ou até que a massa tenha crescido e esteja firme. Espalhe o açúcar refinado em uma folha de papel-manteiga.

4. Deixe o bolo na forma por 10 minutos e depois vire-o na forma de papel-manteiga. Cubra com um pano de prato e deixe esfriar.

5. Para fazer o recheio, misture o café com uma colher de sopa de água fervendo para dissolvê-lo. Coloque em uma vasilha com o creme de leite e o whisky e bata até que a massa forme picos. Espalhe o creme linearmente por toda a massa e enrole-a. Retire o papel-manteiga e coloque o rocambole num prato. Eu usei algumas cerejas para decorar. [Atenção: aqui eu fiz diferente. Como ninguém gostava de whisky, muito menos de chantilly, tive que fazer um recheio mais 'pobrinho', de leite condensado com coco. Ficou gostoso, mas o recheio original me parece maia 'ousado'... em todo o caso, fica aqui a sugestão.]

****

O meu ficou assim:


Simplesmente irresistível!!!

Labels:

Monday, June 04, 2007

Um sábado à noite...

Este sábado que passou, fomos almoçar na casa de um primo do Leo.

Meninas do céu, comer um lombo caipira - leia-se: muita gordura nessa hora - com nhoque não é para qualquer um. E não é para mim definitivamente!!!

Passei a tarde inteira "lembrando" do bicho e com uma azia do cão. E olha que eu nem comi tanto assim. Juro! E antes que um desavisado diga que quem jura mente, eu digo que nunca senti uma comida no meu estômago por tanto tempo! Eu sei exatamente o porquê: até da feijoada eu tiro todo e qualquer resquício de gordura, minha comida dificilmente vai óleo e eu não estou acostumada a comer coisas pesadas. Como disse o Leo: "Isso é que dá ter 'estômago virgem'" (nem me perguntem de onde ele tirou esta).

No meio de toda trapalhada estomacal de sábado à tarde, convites para a saidinha de sábado à noite foram devidamente recusados. Como lá pelas dez já estava quase nova e tendo um enfarto de vontade de sair de casa: "Quelido, vamos no supermercado fazer compras?". O rapaz em questão me olhou com a cara mais assustada do mundo, sabe aquela de o-que-essa-doida-está-querendo/aprontando-pra-mim e "Uai, vamos...". Rá!! Respondeu no susto dançou, eis o meu lema!!

Saímos de casa umas onze e meia porque dez horas ainda estaria impraticável, eu tinha certeza e ele queria ir mais tarde! Gentes, fiquei de cara com a quantidade de pessoas sábado à noite no supermercado. As filas gigantes, eu tenho quase certeza que duas senhorinhas discutiam sobre o último pacote de fiambre do balcão de frios, montes e montes de pessoas com caixas de cerveja a oitenta e oito centavos de real cada, uns molecotes com duas garrafas de vodka e outras de sprite, famílias - incluindo pai, mãe, bebê de colo e sogra - se acotovelando pelos corredores, enfim, uma visão dantesca para um sábado à noite.

Eu acreditava que era uma coisa absurdamente inusitada ir ao super na quase madrugada de um sábado, mas me surpreendi que este passou a ser uma espécie de passeio do brasileiro médio. E a coitada crente que ia lançar moda...

Nem preciso dizer que sai de ré do local. Não comprei nem uma laranja!!! Passamos em outro 24 horas mais "elitizado" (caro, muito caro) só para o lanchinho da madrugada e o almoço de amanhã.

No almoço de domingo (receita nova inédita a qualquer momento neste nham local) ao contar a saga para a Huga, meu irmão de estimação, fico abismada ao saber do mesmo que nem adianta ir às três ou quatro da matina, como imaginava fazer "da próxima", vez que o local é invadido por orbes de adolescentes de todas as idades a procura do consumo rápido de lanches calóricos e mais bebidas alcoólicas, fora a guerra de melancias que foi até capa de um jornal local.

Meu mundo ruiu...

Labels: